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Arquivo da tag: Esculturas Gregas

O fascínio pelo movimento.


As superfícies primárias na representação do movimento

Nossa visão, além de nos proporcionar o poder de enxergas as coisas,  nos permite também, a larga percepção dos movimentos . Outrora caçando, se protegendo, ou mesmo observando, o homem treinou o seu olhar para captar toda ação possível. Muito conhecimento precisava ser passado às futuras gerações, essa necessidade de registrar, fez com que as paredes se tornassem as primeiras telas da humanidade. Através delas, muitas comunidades difundiram seus ensinamentos, suas culturas, lendas, religiões, leis e história.

O exemplo mais clássico dessa narrativa ligada a representação do movimento, é a luta wrestling egípcia pintada na parede há  5 mil anos.

Detalhe

No Egito antigo, também encontramos representações semelhante. Todas elas descrevem a ação em sequência,  divididos por quadros. Como em um storyboard ou nos quadrinhos a imagem pode ser acompanhada pelo olhar, criando assim uma certa “narrativa”.

Tumba 15 – Cemitério de Beni Hasan – Egito

Reprodução

Nitidamente, podemos ver uma sequência de movimento no mais completo estilo “Muybridge”,  além uma simples narrativa. Os egípcios utilizavam as pinturas e seus hieróglifos como código social, justificando, por exemplo, o poder divino de seus faraós.

Os gregos conseguiram expressar o movimento em outros suportes além da parede. É o caso dos vasos gregos que ilustravam sequências de imagens de seus esportistas olímpicos. Na imagem a seguir, a sugestão ao movimento relembra a pintura na caverna em Altamira, do Javali de oito patas.

Vaso Grego

O movimento, nem sempre estava evidente. Muitas vezes sua representação era apenas insinuada. Um bom exemplo disso são as esculturas gregas que ganharam “movimento” na transição do período arcaico para o clássico (no chamado período severo entre 500 e 450 a.C). O contraposto sugerido por Efebos de Kritios abre o caminho para que, já no período clássico, Míron possa criar seu Discóbolo.

Efebos de Kritios, 480 a. C. Museu da Acrópole de Atenas

Discóbolo de Míron, 455 a. C. Gliptoteca de Munique

Se compararmos as esculturas de períodos anteriores,  e muito do que é feito hoje, notaremos que a passagem entre os estilos se deu na inserção do movimento pelos gregos. Para se ter uma ideia do tamanho fascínio que estas esculturas representavam para o povo d sua época, pode ser comparável o sua fascinação ao se deparar com uma projeção holográfica. Enfim, os tempos mudam mas o fascínio continua o mesmo.

Fontes Inspiradoras:
WILLIAMS, Richard. The Animator’s Survival Kit. New York: Faber & Faber, 2001. / LUCENA JUNIOR, Alberto. Arte da Animação – técnica e estética através da História. Senac. São Paulo. 2002. / MANNONI, Laurant. A Grande Arte da Luz e da Sombra: Arqueologia do Cinema. São Paulo: Editora SENAC; Sâo Paulo: UNESP, 2003. / GATTON, Matt. First Light: Inside the Palaeolithic camera obscura em Acts of Seeing: Artists, Scientists and the History of the Visual. Londres: Zidane, 2009. ARGAN, Giulo Carlo. Arte Moderna: Do Iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. AUMONT, Jacques. A Imagem. Campinas: Papirus Editora, 1993. http://en.wikipedia.org/wiki/Beni_Hasan
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