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Os Mecanismos da Visão


Já se perguntou como conseguimos, de fato, enxergar o mundo que nos cerca? Mesmo que você nunca tenha se interessado por esse assunto, saiba que muitas pessoas, há vários milhares de anos, se interessaram. O processo visual intrigou Euclides que no ano 300.A.C. aplicou sua geometria matemática, criando o estudo da Óptica. Apesar da maior parte destes estudos estarem centrados na propagação dos raios luminosos, surgiram teorias sobre a visão.

Daí temos Alhazen, Leonardo da Vinci, Newton, Descartes, Berkeley, Peter Mark Rogget, Plateau e Horner, mas a grande guinada no estudo da percepção visual surge no século XIX com Fechner, Helmholtz e Wundt. Antes de nos aprofundarmos em teorias e mais teorias, devemos nos concentrar, antes de tudo, nos processos primários da visão.

O olho humano não é uma esfera! Na verdade, ele é um globo revestido por uma camada que possui duas partes distintas: uma transparente chamada córnea, e a opaca esclerótica. A córnea funciona como uma primeira lente convergente para que, grande parte dos raios luminosos, atravesse o músculo esfíncter da íris. No centro da íris, está a abertura pupila. Ao fundo está a retina que é a zona sensível tocada pelos raios luminosos.

Exemplo resumido da fisiologia do olho humano

 A verdade é que não vemos com os olhos, ou simplesmente com os olhos. A visão está dividida em processos distintos e a relação dos olhos com raios luminosos fazem parte das transformações óticas, seguida pelas transformações químicas e nervosas. Aqui trataremos apenas dos mecanismos óticos

O olho funciona mais ou menos como uma Câmara Obscura… Uma fonte luminosa emite seus raios que atingem um objeto. A reflexão desses raios passa por um pequeno orifício projetando a “imagem” no fundo. Como vimos anteriormente, a imagem formada na câmara obscura é invertida, assim também acontece com os nossos olhos. Toda imagem que vemos está de “cabeça para baixo”, e nessa primeira fase da visão, não há reconhecimento do que se vê, estamos apenas lidando com elementos responsáveis por absorver as imagens, que nada mais são do que raios luminosos.

Se seguirmos à risca a experiência da câmara obscura, veremos que a imagem invertida, está totalmente “desfocada”, sem nitidez. Poucos raios luminosos entram pelo orifício da câmara obscura, isso se deve à difusão, propriedade da luz refletida pelos objetos. A correção desse “problema” está em adicionarmos uma lente ao orifício. Assim, todos os raios que, por difusão estariam espalhados, estão agora convergindo para um mesmo local, tornando a imagem mais nítida. Foi assim durante o Renascimento, é assim com as câmeras de foto e vídeo e é assim com os nossos olhos também. Precisamos de uma lente para jogar todos esses raios para um mesmo ponto, afim de absorver maior quantidade de luz possível. Nossa “lente” é chamada de cristalino.

No olho humano a pupila é similar ao orifício da câmara obscura enquanto o cristalino é similar à lentes utilizadas para convergir os raios luminosos. A pupila tem a propriedade de abrir e fechar, aumentar ou diminuir a quantidade de luz que passa por ela. Essa propriedade tanto nos ajuda a enxergar em ambientes com pouca luz, como existe para nos fornecer uma visão mais nítida. Com uma menor abertura da pupila, enxergamos com mais profundidade de campo, e também com maior riqueza de detalhes. Perceba como é curioso o comportamento da percepção visual: vá ao oftalmologista e faça um exame daqueles que uma moça educada pinga duas gotas de um colírio em cada um de seus olhos. Esse colírio fará suas pupilas dilatarem. A sensação experimentada não será de enxergamos mais claro ou mais escuro (obviamente a claridade em excesso incomodará). A sensação no entanto, é que enxergamos mais desfocado, menos nítido. Isso é muito interessante!

O cristalino diferentemente das lentes usadas durante o Renascimento, é uma lente biconvexa, pode convergir variavelmente conforme o desejo do dono do olho. Esse “desejo” é chamado de acomodação, portanto, é propriedade do cristalino direcionar onde a imagem será projetada na retina. Essa propriedade leva em conta a distância da fonte luminosa, do objeto refletido e a posição do observador. É ou não é meio complexo :)

Pense bem: a) a luz que se propagou em linha reta no vácuo, b) se desviou ao entrar na atmosfera do planeta propagando-se pelo ar, c) até se desviar novamente ao ser refletido por um objeto e d) por final se desviar novamente ao entrar e se  propagar em meio aquoso para no enfim, e) atingir a retina (ufa!). O cristalino por ser uma lente, irá refratar esses raios luminosos, ou seja, todo desvio que poderia acontecer na passagem do ar para o meio aquoso, o cristalino conserta convergindo tudo para a retina.

 Fontes Inspiradoras:
AUMONT, Jacques. A Imagem. Campinas: Papirus Editora, 1993. GUIMARÃES, Luciano. A Cor como Informação – a Construção Biofísica, Linguística e Cultural da Simbologia das Cores. São Paulo: Annablume, 2000. Além de muito Google e Wikipedia, obviamente :)
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Sobre Administrador

Estudante e Professor de cinema. Espectador e Diretor de Filmes.

Uma resposta »

  1. legal! parabéns pela pesquisa! :)

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