Naquele período curto na história da humanidade, chamado Era Medieval, pouco se fez em relação à representação do movimento. Os anjos de Giotto pintados em posições diferentes, sugerem ação em sua obra. De maneira semelhante, em pleno Renascimento, o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci nos apresenta duas posições diferentes do mesmo homem. Forçando a imaginação podemos vê-lo fazendo polichinelo bem tosco.
A maior contribuição de da Vinci ao cinema se deu na introdução de uma lente para melhor captar a imagem formada pela câmara obscura. A utilização de um equipamento científico como este fez com que novas perguntas fossem formuladas, possibilitando o desenvolvimento de aparelhos óticos até o advento da fotografia.
Matt Gatton recentemente evidenciou o uso da câmara obscura desde o período Paleolítico, quando comparou a pintura Up Side Down Horse feita há 28000 anos a. C. na gruta de Lascaux com o efeito da projeção invertida da câmara obscura. Para saber mais detalhes clique neste LINK
Mas temos que tirar o chapéu para um físico e matemático árabe chamado Alhazen (965-1040 d.C.). Historicamente, ele é reconhecido como o recriador da Câmara Obscura e, além disso, Alhazen contestou todas as teorias grecorromas acerca do processo de formação da imagem através da visão.
Para Platão (428-348 a.C.), haveria dentro de nós o chamado fogo divino que sai dos nossos olhos até detectar um objeto. Assim, tal fogo divino sai dos olhos e encontra a luz emitida pelo objeto. A união entre essas duas luzes formaria a visão. Vários pensadores desde Zenão, Ptolemeu até Galeno, defenderam a proposta de Platão confirmando a emissão de raios pelos olhos. Apenas Epícuro (341-280 a.C.) contestava essa idéia! O mais interessante é que as bases matemáticas criadas, possibiltaram a formulação da Ótica de Euclides, Arquimedes, Apolonio.
Alhazen criou uma série de tratados sobre Ótica, abordava temas como direção da luz, corpo emissor de luz, e processos reflexivos. Foi para estudar um eclipse lunar que ele utilizava a câmara obscura.
Passado séculos após o Renascimento, as câmaras obscuras se tornaram ambientes altamente lucrativos. No século XIX, elas se multiplicaram nos parques dos Estados Unidos. Central Park abrigava uma câmara obscura, e cobrava entrada do público oferecendo a mais bela ilusão de ótica. A fotografia e os brinquedos óticos já existiam, mas talvez o acesso ao público fosse bem mais restrito do que imaginamos. Por outro lado, a construção de uma câmara obscura representava um pequeno investimento, haja vista o volume de espectadores que se amontoavam dispostos a pagar ingresso.
De certo modo, as câmaras obscuras tornaram-se as salas de cinema primitivas que, anos depois, dariam espaço ao Teatro Ótico de Émile Reynaud e finalmente, as exibições cinematográficas. A indústria que fabricava máquinas, enxergou o poder lucrativo do entretenimento. O teatro já possuía sólida presença na cultura popular, mas arte e entretenimento através de uma máquina? A realidade do espetáculo, presenciada pelo espectador de teatro, seria transformada pelo cinema, em uma experiencia virtual, parte de um processo psicológico e ilusório.














[...] temos Alhazen, Leonardo da Vinci, Newton, Descartes, Berkeley, Peter Mark Rogget, Plateau e Horner, mas a grande [...]